
Foto: Beto Albert (Arquivo/Diário)
Após decisão que cassou o registro médico de Leandro Boldrini, o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) aguarda notificação oficial para encaminhar o desligamento dele da instituição. Condenado a 31 anos de prisão pela morte do filho Bernardo, desde 2024, ele atuava no Programa de Residência Médica em Cirurgia do Trauma do Husm.
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O julgamento, que impediu a sequência das atividades de Boldrini como médico, ocorreu na terça-feira (11), a pedido do Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul. A sustentação oral do processo, feita pela promotora de Justiça Alessandra Moura Bastian da Cunha, alegava que Boldrini teria usado conhecimentos da medicina para planejar a execução do homicídio do próprio filho.
Agora, a Superintendência do Husm aguarda a notificação por parte do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers). É a partir dela que a Comissão de Residência Médica da UFSM (Coreme) deve encerrar o vínculo de Boldrini com a residência médica. Até lá, ele segue com as atividades no hospital.
Procurada pela reportagem, a Coreme não se manifestou sobre o caso.
Ao Diário, o advogado de Boldrini, Ezequiel Vetoretti disse, em nota, que ainda analisará a decisão para, então, "decidir se apresentaremos recurso ou não".

Relembre o caso
Boldrini foi condenado pela morte do filho Bernardo Boldrini, de 11 anos, ocorrido em Três Passos, no dia 4 de abril de 2014. O menino, que morava com o pai, a madrasta e uma meia-irmã de um ano, desapareceu na data do crime. Seu corpo foi encontrado dez dias depois, enterrado em uma cova às margens do rio Mico, em Frederico Westphalen. A investigação apontou que a criança foi dopada, morta e enrolada em um saco plástico antes de ser enterrada.
No mesmo dia da descoberta do corpo, Boldrini e a madrasta da criança, Graciele Ugulini, foram presos, suspeitos de serem, respectivamente, o mentor intelectual e a executora do crime. Graciele contou com a ajuda da amiga Edelvania Wirganovicz. Dias depois, Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvania, foi preso sob suspeita de preparar a cova onde o menino foi enterrado.
Apesar da condenação, Leandro Boldrini foi selecionado para um programa de residência no Husm. Ele havia sido absolvido, por unanimidade, no processo disciplinar do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers). A entidade concluiu que ele não cometeu nenhuma infração ética durante sua trajetória profissional. No mesmo mês, ele foi flagrado saindo de um Centro de Formação de Condutores (CFC) em Santa Maria, onde renovou sua carteira de habilitação.
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